Certa vez, o presidente da Sony disse o seguinte:
“Acreditamos que a concorrência tem todas as condições de fazer produtos
tão avançados quanto os nossos. A grande diferença, a partir de agora, será o design”. Seguindo a mesma linha, Robert Hayes, respeitado professor da escola
de negócios da Universidade de Harvard, afirmou:
“Quinze anos atrás, as empresas competiam em preço. Hoje é em qualidade.
Amanhã será em design”.
Quem fica maravilhado com os computadores da Apple e os tênis da Nike
sabe muito bem o que esses especialistas estão falando.
Ou melhor: sabe uma parte. Porque design, em geral, abrange mais
do que as pessoas (empresários e executivos incluídos) pensam.Quando se fala de desenvolvimento de produtos ou da criação
de logotipos e anúncios, aí fica nítida a importância dos aspectos formais e estéticos.
O assunto começa a causar confusão quando se afirma que o design
é a melhor forma de evidenciar e propagar a identidade da empresa,
inclusive aquela que não desenvolve produtos.

Recentemente, uma revista especializada dos Estados Unidos fez uma
lista das 40 companhias que fazem melhor uso do design.
Metade delas era do setor de serviços. Como explica, em artigo, Lígia Fascioni,
doutoranda em Gestão do Design na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC):

“O design está em tudo: no logo, nos documentos internos, no material de divulgação,
nos uniformes, na frota de veículos, na forma como os clientes são atendidos,
na home page, no refeitório, nos escritórios e lojas, no jardim em frente à empresa,
nos produtos e embalagens…”.

Portanto, se uma operadora de telecomunicações quer parecer moderna
aos olhos do público e fornecer uma imagem de qualidade aliada à alta
tecnologia, não pode ter sua sede instalada em um prédio qualquer.
E o atendimento aos clientes não deve ser vagaroso, nem a atendente,
uma velhinha que já não ouve direito. Quando o presidente da Sony
disse que o grande diferencial seria o design, certamente não estava
falando só dos produtos. Todas as atitudes da multinacional japonesa
remetem à inovação, a uma companhia direcionada para o futuro.
Até o tipo de terno usado pelos executivos deve condizer com o posicionamento
de sua empresa no mercado. Isso se torna especialmente importante
na medida em que, cada vez mais, a construção de uma marca está ligada
à identificação que tem com algum conceito/comportamento/atitude.

O que muitas empresas estão fazendo, principalmente no exterior,
é criar a função de gestor de design. Segundo Eugênio Merino,
professor de Gestão do Design da UFSC, é aquela pessoa que garantirá
que todas as esferas da organização estejam atreladas à identidade corporativa.
De uma forma ou de outra, muitas companhias já fazem isso,
mesmo que intuitivamente. Mas, via de regra, sempre deixam um furo aqui e ali.
Com um profissional encarregado exclusivamente da gestão do design,
a construção da imagem da companhia e a integração da identidade em
todos os cantos se darão com muito maior eficiência. Como dizia Platão:
“A imagem tem o poder de transformar o homem, seduzindo-lhe a imaginação.
É precisamente pela aparência que podeis capturar a mente daqueles que
não darão ouvidos aos vossos teoremas”.

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